A atualização da NR-01 começou a colocar um tema no centro das discussões entre RHs, lideranças e áreas de saúde ocupacional: os riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

Mas reduzir essa mudança a uma simples adequação trabalhista talvez seja enxergar apenas uma pequena parte do problema.

O que a nova NR-01 sinaliza é algo maior: as empresas precisarão abandonar uma visão reativa sobre saúde corporativa e começar a tratar prevenção, bem-estar e saúde mental como parte estratégica da sustentabilidade da operação.

E muitas ainda não estão preparadas para isso.

O que mudou na NR-01

O capítulo 1.5 da NR-1 foi alterado pela Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego nº 1.419, de 27 de agosto de 2024, incluindo expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.

Na prática, isso coloca no radar das empresas temas como:

  • sobrecarga
  • pressão excessiva
  • assédio
  • fadiga mental
  • falta de suporte no ambiente de trabalho
  • desgaste emocional contínuo

Além disso, a atualização reforça que o gerenciamento desses riscos precisa acontecer de forma contínua e integrada dentro das organizações.

Segundo o documento “Perguntas e Respostas sobre o Capítulo 1.5 da NR-1”, elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego:

“Trata-se de um processo contínuo que exige coordenação de ações, implementação de medidas de prevenção e acompanhamento por parte da empresa.”

Ou seja:
não estamos falando apenas de documentação ou adequação burocrática.

Estamos falando sobre gestão contínua de saúde e prevenção dentro das empresas.

E existe um ponto importante que muitas organizações ainda não perceberam:
a partir de 26 de maio de 2026, empresas poderão ser multadas caso estejam em desacordo com a norma.

A maioria das empresas ainda não está preparada

Apesar do avanço da discussão, muitas lideranças ainda não sabem exatamente como lidar com essa mudança.

Um estudo da The School of Life Brasil em parceria com a Robert Half apontou que 35% dos líderes não possuem conhecimento básico para apoiar as empresas no cumprimento das exigências da atualização da NR-1.

Isso acontece porque a mudança exigida pela norma vai além da área trabalhista. Ela exige mudança de cultura organizacional.

As empresas precisarão desenvolver processos mais estruturados de prevenção, acompanhamento e gestão de riscos relacionados à saúde física e mental dos colaboradores.

E o cenário ajuda a explicar por que essa discussão ganhou tanta relevância nos últimos anos.

O adoecimento mental já impacta diretamente as empresas

Dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social em março de 2025 revelaram que o INSS recebeu mais de 3,5 milhões de pedidos de licença médica em 2024, sendo 472.328 relacionados a transtornos mentais.

Isso representa um aumento de 68% em relação a 2023 e o maior índice desde 2014.

Esses números mostram que o impacto da saúde mental deixou de ser apenas uma discussão individual.

Hoje, ele afeta diretamente:

  • produtividade
  • absenteísmo
  • presenteísmo
  • clima organizacional
  • custo assistencial
  • sustentabilidade operacional

E existe outro ponto importante nessa discussão: saúde corporativa não envolve apenas suporte emocional. Ela também possui relação direta com fatores físicos, comportamentais e de estilo de vida.

Saúde corporativa exige uma visão mais integrada

A atualização da NR-01 reforça uma mudança importante:
as empresas precisarão olhar saúde de forma mais ampla e integrada.

Isso envolve:

  • ambiente de trabalho
  • ergonomia
  • saúde mental
  • hábitos
  • rotina
  • qualidade de vida
  • alimentação
  • prevenção contínua

E esse ponto ganha ainda mais relevância quando observamos a relação entre alimentação e saúde mental.

Um estudo realizado com 157 mil pessoas mostrou que dietas inflamatórias e com alto consumo de ultraprocessados aumentam em 80% o risco de ansiedade e em 48% o risco de depressão.

Além disso, funcionários com alimentação saudável e acesso a programas de bem-estar nutricional apresentam melhor desempenho e 21% menos absenteísmo.

Na prática, isso significa que fatores como alimentação, energia e hábitos também impactam diretamente indicadores organizacionais.

A discussão sobre saúde corporativa começa, cada vez mais, a sair do campo assistencial e entrar no campo estratégico.

O que a NR-01 antecipa para os próximos anos

Talvez a principal mudança trazida pela NR-01 seja esta:
as empresas precisarão parar de enxergar saúde corporativa apenas como benefício.

Nesse cenário, iniciativas focadas em acompanhamento contínuo, prevenção e construção de hábitos saudáveis tendem a ganhar ainda mais relevância dentro das estratégias corporativas.

É justamente nessa visão integrada que empresas como a KLP vêm atuando, conectando saúde corporativa, prevenção e gestão de pessoas de forma mais estratégica.

E iniciativas como a NutriEduca reforçam esse movimento ao mostrar que alimentação, comportamento e acompanhamento contínuo também fazem parte da construção de equipes mais saudáveis, produtivas e sustentáveis no longo prazo.