A discussão sobre trabalho remoto e presencial normalmente gira em torno de produtividade, flexibilidade, cultura e qualidade de vida. Mas existe uma variável silenciosa que vem mudando profundamente nos dois modelos: a alimentação dos colaboradores.

A rotina de trabalho influencia diretamente horários, comportamento alimentar, nível de energia e até a relação emocional das pessoas com a comida. E isso começa a aparecer cada vez mais nos sintomas que as empresas já enfrentam diariamente: fadiga constante, dificuldade de concentração, queda de disposição e aumento do esgotamento mental.

O ponto é que home office e presencial criam problemas diferentes e vantagens diferentes também.

O home office trouxe autonomia alimentar, mas também desorganização

Trabalhar de casa eliminou deslocamentos longos e permitiu que muitos profissionais passassem a ter mais acesso à própria cozinha, refeições caseiras e maior flexibilidade de horários. Na teoria, isso favorece uma alimentação melhor.

Na prática, muitos colaboradores passaram a viver em uma rotina sem separação clara entre trabalho e descanso. Estudos publicados pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB) e na plataforma SciELO mostram que a ausência de barreiras físicas no home office faz com que trabalhadores estendam jornadas e vivam uma cultura de “estar sempre online”.

Quando o cérebro permanece constantemente em estado de alerta, o impacto não fica restrito ao cansaço mental. O estresse crônico interfere diretamente na qualidade do sono, na recuperação física e no comportamento alimentar ao longo do dia.

É nesse cenário que aumentam os episódios de “snacking”: pequenas refeições constantes, consumo impulsivo de doces e ultraprocessados e a busca frequente por alimentos rápidos como tentativa de compensar fadiga e sobrecarga mental.

O problema é que esse padrão cria uma sensação de energia muito instável. A pessoa trabalha mais horas, mas sustenta menos capacidade de concentração ao longo do dia.

O presencial cria rotina, mas também aumenta a alimentação por conveniência

Enquanto o home office trouxe desorganização alimentar para muitos profissionais, o trabalho presencial mantém outro desafio: a alimentação baseada em praticidade.

Entre trânsito, horários rígidos, pouco tempo de pausa e deslocamentos longos, muitos colaboradores acabam dependendo diariamente de restaurantes rápidos, delivery ou alimentos ultraprocessados consumidos entre compromissos.

Segundo Ana Carolina Teruel, especialista em nutrição esportiva e estética, um dos maiores desafios da rotina presencial é fazer com que o colaborador consiga organizar uma lancheira com as refeições e lanches do dia. Sem esse planejamento prévio, a tendência é recorrer ao que estiver mais acessível durante a rotina corrida, e isso normalmente significa escolhas alimentares mais pobres nutricionalmente, além de impactar o bolso.

O Índice Prato Feito (IPF), criado pela Faculdade do Comércio de São Paulo (FAC-SP), revelou que trabalhadores que almoçam fora de casa cinco vezes por semana gastam, em média, R$ 605 por mês apenas com almoço.

O problema não está apenas no modelo de trabalho

Existe uma tendência de tentar descobrir qual formato é “melhor” para saúde e produtividade. Mas a realidade é mais complexa.

O home office pode favorecer refeições mais equilibradas e mais tempo de descanso quando existe organização da rotina. O presencial pode ajudar na criação de horários mais consistentes e pausas estruturadas.

Ao mesmo tempo, ambos os modelos também podem estimular padrões que drenam energia física e cognitiva diariamente.

O ponto central é que alimentação deixou de ser uma questão isolada de saúde individual. Ela passou a impactar diretamente no desempenho, concentração, estabilidade emocional e capacidade de recuperação mental dos colaboradores.

E isso muda a forma como as empresas deveriam enxergar produtividade.

Empresas que ignoram alimentação acabam tentando resolver apenas os sintomas

Muitas organizações já perceberam aumento de fadiga, ansiedade e queda de energia nas equipes, principalmente depois das transformações trazidas pelos novos modelos de trabalho.

Mas ainda é comum tratar esses efeitos apenas como problemas de gestão, engajamento ou saúde mental, sem observar os hábitos que sustentam fisiologicamente a rotina dos colaboradores. A alimentação faz parte dessa equação.

Quando a empresa não cria condições mínimas para uma relação mais saudável com alimentação e rotina, os impactos aparecem aos poucos: mais cansaço, menor capacidade de concentração, pior recuperação mental e produtividade mais instável.

Na NutriEduca, o acompanhamento nutricional é pensado justamente para adaptar hábitos à realidade de cada rotina de trabalho. Porque o desafio não está apenas em saber o que comer, mas em conseguir sustentar energia, foco e bem-estar dentro da rotina real que o colaborador vive todos os dias.